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-Maíra Tanaka
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[Quarta-feira, Setembro 27, 2006]

::Inspiração::

Extra-extra-extra!_ Então tá! A partir de 1º de janeiro de 2007 não teremos mais nenhum outdoor, cartaz ou faixa que possa poluir nossas ruas. Não veremos mais a Cicarelli exibindo suas curvas indecentes em biquínis minúsculos, não seremos mais incomodados por painéis luminosos que gritavam aos nossos olhos, não teremos mais os anúncios de rua que nos comunicavam sobre aquele evento que não teríamos dinheiro para ir. E poderemos ver, finalmente, nossos prédios imponentes, nossas praças floridas, nossos cidadãos transitando pela grande cidade que é São Paulo. Sim, porque atrás de tanta publicidade se escondem construções e almas. Estamos próximos do velho sonho de limpeza e de paz visual. Ao invés de olharmos para o presunto suculento que acaba de ser lançado, de nos informarmos sobre aquela loja que está com descontos imperdíveis e de perder tempo rindo com a criatividade de nossos publicitários endinheirados (que estão entre os melhores do mundo), vamos agora reparar (ainda mais) no cachorro que deixou sua marca na calçada e no poste, nos pedintes que nos fazem fechar e escurecer os vidros de nossos carros, na paisagem fria, concreta e monocromática de uma metrópole que perdeu o controle da atividade que mais lhe gera recursos. É compreensível que talvez seja necessário um movimento retrógrado e arbitrário para solucionar uma situação que estava caótica, assumidamente; e que, somente de uma forma radical é que poderia se pensar em progresso e respeito ao espaço público e à privacidade individual. Porém, acabou-se com a atividade de agências de mídia exterior sérias que se dedicaram durante anos para realizar um trabalho ético, inovador e cativante. Obviamente existem aquelas que quebram regras e mancham o nome da profissão, mas, enfim, nada mais resta a qualquer empresa que trabalhe exclusivamente com isso - sendo estas boas ou ruins, úteis ou inúteis, comprometidas ou não - do que baixar suas portas, deixando um buraco na arte e no direito de falar ao público. Até que algum insano invente outra coisa para perturbar a "limpeza" urbana.
(Maíra Tanaka)

::Influência::

Extremismo_ "A visão é limitada por uma dupla fronteira: a luz intensa que cega e a escuridão total. Talvez seja daí que vem a repugnância por todo extremismo. Os extremos delimitam a fronteira para além da qual a vida termina, e a paixão pelo extremismo, em arte como em política, é um desejo de morte disfarçado."
(Milan Kundera - A insustentável leveza do ser)

::Inquietação::

Liberdade?_ "Quando você chega em um país e toda a imprensa, unanimemente, comemora o Dia da Liberdade, trata-se de uma ditadura. Se, porém, a imprensa diz que o clima de restrições à liberdade é insuportável, você está numa democracia."
(Millôr Fernandes)

::Individualmente::

Ouvindo: Elton John - I must have lost it on the wind
Lendo: Italo Calvino - Cidades invisíveis (p. 24)
Pensando: Para que pensar tanto?
P.S.: Entre o céu e o inferno, enquanto eu tiver o poder de escolha, optarei pelo meio-termo.
P.S.2: Sim, voltei!

x Por Maíra às 9:01 PM - x



[Segunda-feira, Setembro 04, 2006]

Em breve novidades! Aguardem o retorno...

x Por Maíra às 10:45 PM - x