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::Inspiração::
Arte e informação_ Penso que a Arte deve não apenas informar, já que para isso existem os jornais e a televisão. Dessa forma, a Arte deveria, além de transmitir alguma mensagem, causar reflexão ou, no mínimo, gerar alguma interpretação livre por parte do receptor, pois é nisso que somos pobres e preguiçosos. Ou seja, a informação é arbitrária e já nos vem mastigada, enquanto é na Arte que podemos imaginar e despertar nossa sensibilidade. E acredito que é isso que nos faz humanos. De acordo com isso, então, Design não é arte, nem somente informação. E, atualmente, acredito que é justamente o Design que consegue juntar essas duas formas de expressão (a objetiva e a reflexiva), contribuindo para que a comunicação ocorra da maneira mais palpável possível, primeiramente de forma estética e, por fim, de forma ideológica.
Porém, como em outras profissões, o trabalho do designer pode ser banalizado por uma indústria estagnada e sem criatividade, ou por um sistema comercial que ultrapassa os valores essenciais de uma sociedade. E o que acabamos vendo é a exploração da futilidade e do exagero. Então, além do profissional desta área pensar sobre como encontrar o equilíbrio ideal entre texto e imagem, de forma a prestar um serviço que melhore a comunicação com o público, precisa também fazer com que o mesmo enxergue esse esforço e se satisfaça com o resultado final.
É dessa forma que a valorização da estética não se torna maléfica ou inútil. Pelo contrário, quando bem utilizada, a informação aliada ao design pode atingir melhor o receptor e, ainda, marcar presença junto ao mesmo. A estética, sob este ponto de vista, é fundamental, não apenas de forma comercial para iludir olhos passivos, mas sim para dinamizar e diferenciar produtos em ambientes tão competitivos. Ou, mais do que isto, para que o público perceba que tem o poder de escolha e para que o produto em questão - que pode ser um sabão em pó, uma revista ou um programa de televisão - tenha valor agregado.
O designer, no caso, só não pode perder o foco principal, que é tornar a mensagem viável, interessante e compreensível para o leitor.
(Maíra Tanaka)
::Influência::
Aprendizado_ "A arte é um sentimento difícil de ser definido. O seu tema, por mais importante e grandioso que seja, pode sempre ser simplificado ao ponto de ser compreensível por todas as pessoas. É aí que a arte atinge a sua forma mais sublime."
(Charles Chaplin)
::Intervalo::
Felicidade?_ O que define uma pessoa feliz? Um trabalho bem sucedido, uma família bem estruturada, um carro novo, um coração preenchido, uma casa numa cidade pequena, um momento surpreendentemente bom, a ausência da tristeza, o desprendimento material, um objetivo a ser almejado, um sonho realizado, um passo bem dado, um nascer do sol?
::Individualmente::
Ouvindo: Franz Schubert - Quinteto para piano em Lá maior, A truta.
Lendo: Milan Kundera - A insustentável leveza do ser (p. 172)
Pensando: No final de semana...
P.S.: Como é difícil manter um fluxo de textos aqui. Me desculpem pela falta de atualização, mas estou tentando.
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Maíra
às 10:51 PM - x
[Quarta-feira, Setembro 27, 2006]
::Inspiração::
Extra-extra-extra!_ Então tá! A partir de 1º de janeiro de 2007 não teremos mais nenhum outdoor, cartaz ou faixa que possa poluir nossas ruas. Não veremos mais a Cicarelli exibindo suas curvas indecentes em biquínis minúsculos, não seremos mais incomodados por painéis luminosos que gritavam aos nossos olhos, não teremos mais os anúncios de rua que nos comunicavam sobre aquele evento que não teríamos dinheiro para ir. E poderemos ver, finalmente, nossos prédios imponentes, nossas praças floridas, nossos cidadãos transitando pela grande cidade que é São Paulo. Sim, porque atrás de tanta publicidade se escondem construções e almas. Estamos próximos do velho sonho de limpeza e de paz visual. Ao invés de olharmos para o presunto suculento que acaba de ser lançado, de nos informarmos sobre aquela loja que está com descontos imperdíveis e de perder tempo rindo com a criatividade de nossos publicitários endinheirados (que estão entre os melhores do mundo), vamos agora reparar (ainda mais) no cachorro que deixou sua marca na calçada e no poste, nos pedintes que nos fazem fechar e escurecer os vidros de nossos carros, na paisagem fria, concreta e monocromática de uma metrópole que perdeu o controle da atividade que mais lhe gera recursos. É compreensível que talvez seja necessário um movimento retrógrado e arbitrário para solucionar uma situação que estava caótica, assumidamente; e que, somente de uma forma radical é que poderia se pensar em progresso e respeito ao espaço público e à privacidade individual. Porém, acabou-se com a atividade de agências de mídia exterior sérias que se dedicaram durante anos para realizar um trabalho ético, inovador e cativante. Obviamente existem aquelas que quebram regras e mancham o nome da profissão, mas, enfim, nada mais resta a qualquer empresa que trabalhe exclusivamente com isso - sendo estas boas ou ruins, úteis ou inúteis, comprometidas ou não - do que baixar suas portas, deixando um buraco na arte e no direito de falar ao público. Até que algum insano invente outra coisa para perturbar a "limpeza" urbana.
(Maíra Tanaka)
::Influência::
Extremismo_ "A visão é limitada por uma dupla fronteira: a luz intensa que cega e a escuridão total. Talvez seja daí que vem a repugnância por todo extremismo. Os extremos delimitam a fronteira para além da qual a vida termina, e a paixão pelo extremismo, em arte como em política, é um desejo de morte disfarçado."
(Milan Kundera - A insustentável leveza do ser)
::Inquietação::
Liberdade?_ "Quando você chega em um país e toda a imprensa, unanimemente, comemora o Dia da Liberdade, trata-se de uma ditadura. Se, porém, a imprensa diz que o clima de restrições à liberdade é insuportável, você está numa democracia."
(Millôr Fernandes)
::Individualmente::
Ouvindo: Elton John - I must have lost it on the wind
Lendo: Italo Calvino - Cidades invisíveis (p. 24)
Pensando: Para que pensar tanto?
P.S.: Entre o céu e o inferno, enquanto eu tiver o poder de escolha, optarei pelo meio-termo.
P.S.2: Sim, voltei!
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Maíra
às 9:01 PM - x
[Segunda-feira, Setembro 04, 2006]
Em breve novidades! Aguardem o retorno...
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Maíra
às 10:45 PM - x
[Segunda-feira, Junho 19, 2006]
::Lista de pendências aos 21 anos::
Gosto de ler. E não li Dostoiévski ainda. Gosto de escrever. E não tenho nenhum livro publicado. Gosto de poesia. E não tenho nenhum Shakespeare na estante. Gosto de praia e sol. E não estou bronzeada. Gosto de futebol. E não comprei a camiseta do meu time. Gosto de pistache. E nunca o misturei com brigadeiro. Gosto de teatro. E não assisti mais do que três peças. Gosto de artes. E mal entendo o Impressionismo de Renoir. Gosto de viajar. E não conheço nada além de Porto Seguro ou Campos do Jordão. Gosto de criar. E meu portfólio tem míseros exemplos de layouts rabiscados. Poderia ser melhor se me livrasse dos desejos passando a realizá-los? Faria a diferença ter lido um pouco mais ou saber outra língua? É isso o que chamam de experiência? Quem sabe talvez seja a hora de, enfim, experimentar. E viver.
(Maíra Tanaka)
::Inquietação::
"O que é preciso para um homem ser feliz, neste aspecto? Ter um falo adequado; acreditar que é homem; acreditar que os outros acreditam que ele é homem; ter orgasmo, e, mais importante, acreditar que pode fazer uma mulher ter orgasmo.
E uma mulher? Ter uma genitália adequada; acreditar que é mulher; e acreditar que pode, ou poderia, ter filhos.
Quer dizer que para ser feliz o ser humano precisa estar em paz com as suas ilusões? Precisamente.
E quem não tem ilusões? Para com elas viver em paz ou em guerra? E quem não tem dúvidas por falta de certezas?"
("A opção" - Contos Reunidos - Rubem Fonseca)
::Atualmente::
Ouvindo: Nickelback - Far away
Lendo: Khaled Hosseini - O caçador de pipas (p. 159)
Pensando: Nas próximas aquisições literárias.
P.S.: Mais de um mês desde as últimas palavras? Que horror!!!
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Maíra
às 9:22 PM - x
[Quarta-feira, Maio 17, 2006]
::O crime e os criminosos::
"A cidade é um mercado com amplas possibilidades para todos, igualmente. Você prende os criminosos que pode e finge acreditar que na prisão eles serão reabilitados e a sociedade, defendida. Mas você sabe que na verdade os criminosos são degradados e corrompidos na prisão e a sociedade não precisa ser defendida, mas sim destruída. (...) Ninguém sabe muito sobre crime e criminosos, somos todos criminosos em potencial, o difícil é saber por que uns se realizam e outros não."
(Rubem Fonseca - O caso Morel)
::Luto::
Terror. Descontrole. Insegurança. Quem é o culpado? Qual é a solução? A minha cidade, centro econômico, abundantemente cultural, cosmopolita, altamente produtiva e de fôlego inesgotável, em plena guerrilha urbana. Erramos ao crescer demais?
A minha cidade, palco da vergonha e do descaso. A indignação ainda pode se transformar em atitude e reação? A minha cidade, cujos defensores mal puderam defender a si mesmos, esvaziou-se e estremeceu diante da covardia e do poder sórdido de indivíduos que não podem sequer serem chamados de humanos, porque não o são e tampouco merecem outro título senão o de bandidos e assassinos, o que ainda é pouco diante das atrocidades que cometem.
E quantas outras vidas dignas ainda serão castigadas injustamente até que se aprenda o valor da palavra Segurança? Direto civil, dever público, necessidade humana. A minha cidade se esqueceu de olhar para dentro na ansiedade de alcançar os céus com seus prédios. Esqueceu de garantir a sobrevivência dos que trabalham por ela. Ou será que se esqueceram dela?
(Maíra Tanaka)
::Atualmente::
Ouvindo: Frédéric Chopin - Concerto para piano n°1 em Mi menor.
Lendo: Rubem Fonseca - Contos reunidos (p.38)
Pensando: Aonde vamos parar?
P.S.: Reticências agonizantes...
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Maíra
às 10:35 PM - x
[Sexta-feira, Maio 05, 2006]
::Incondicional::
Um menino que tem uma flor que é única. Um jardim que tem inúmeras flores parecidas. Parecidas, mas não iguais àquela. Porque foi o menino quem a regou e a livrou das lagartas, porque é ele a quem ela recorrerá quando tiver sede ou frio, porque foi ele quem a viu florescer pela primeira vez.
Uma menina que tem um amor que é único. Um mundo que oferece incontáveis pessoas a quem se poderia amar. Amáveis, com toda a certeza, mas não de maneira tão especial e profunda. Porque foi a menina quem acolheu seu amor nas horas tristes, porque é ela quem o ensinou a sorrir novamente, porque foi ela quem despertou nele a razão de sua vida.
Porque o que torna alguém tão importante não é o que ele faz por nós, mas sim o que somos capazes de fazer por ele.
(Maíra Tanaka)
::O milagre::
"A cidade, apenas aí entrou, pareceu-lhe transformada por uma vara mágica; viu-a povoada de seres fantásticos e rutilantes, que iam e vinham do céu à Terra e da Terra ao céu. A cor deste era única entre todas as da palheta do divino cenógrafo. As estrelas, mais vivas que nunca, pareciam saudá-lo de cima com ventarolas elétricas, ou fazerem-lhe figas de inveja e despeito. Asas invisíveis lhe roçavam os cabelos, e umas vezes sem boca lhe falavam ao coração. Os pés como que não pousavam no solo; ia estático e sem consciência de si. Era aquele o galhofeiro de há pouco? O amor fizera esse milagre mais."
(Machado de Assis - Helena)
::Atualmente::
Ouvindo: Placebo - Meds
Lendo: Helen Fielding - Bridget Jones: No limite da razão (p.242)
Pensando: Ainda falta algo...
P.S.: Eternamente encantada com Saint Exupéry.
P.S.2: Post dedicado a meu amor, que também é único.
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Maíra
às 9:05 PM - x
[Domingo, Abril 09, 2006]
::Fluidez::
Eu trocaria a pele de porcelana por neurônios mais ativos. Deixaria de lado os lápis-de-cor para dar mais espaço aos livros. Libertaria-me de meu próprio reflexo se pudesse ter em troca mais inspiração. Porque a beleza está em acumular o conhecimento e aliá-lo à criatividade, já que o resto é desnecessário, transitório e palpável demais. O que é digno de estima se encontra em camadas mais profundas e ocultas, de onde brota a personificação do intelecto e seu progresso experimental. Local este que só uma mente absolvida e livre de paradigmas visuais e superficiais é capaz de absorver e consumir. E absorto, eis que encontra a essência, cuja aparência suscita a imaginação, flui em idéias, se reconstrói entre histórias e culmina na sabedoria.
(Maíra Tanaka)
::Ideológico::
"Por trás desta máscara há mais do que carne; por trás desta máscara há uma idéia, e idéias são à prova de bala".
(V for Vendetta)
::Atualmente::
Ouvindo: U2 - One
Lendo: Franz Kakfa - O Processo (p.89)
Pensando: Em dar um upgrade no intelecto.
P.S.: Assistam o filme V de Vingança. Perigosamente inspirador.
P.S.2: Tenho um amigo secreto, então?
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Maíra
às 8:47 PM - x
[Segunda-feira, Março 20, 2006]
::Poder e dominação::
"Obediência não é o suficiente. A não ser que uma pessoa esteja sofrendo, como você pode ter certeza que ela não está obedecendo à sua vontade e não à dela? O poder está em infringir dor e humilhação. O poder está em rasgar mentes humanas em pedaços e colocá-las juntas, de volta, em novas formas escolhidas por você mesmo. (...) Em um mundo onde o Estado domina e nada é de ninguém, mas tudo é de todos, tudo o que resta de privado são os poucos centímetros quadrados do cérebro. E é aí que a batalha se desenvolve, entre o indivíduo e o Estado, lutando na tentativa de controlar a mente".
(George Orwell - 1984)
::Condenação à liberdade::
"No entender de Sartre, estamos 'condenados à liberdade'; não há limite para nossa liberdade, exceto o de que 'não somos livres para deixarmos de sermos livres'. Porque não há nenhum Deus e, portanto não há qualquer plano divino que determine o que deve acontecer, não há nenhum determinismo. O homem é livre. Nada o força a fazer o que faz. 'Nós estamos sozinhos, sem desculpas'. O homem não pode desculpar sua ação dizendo que está forçado por circunstâncias ou movido pela paixão ou determinado de alguma maneira a fazer o que faz".
(Cobra, Rubem Q. - Jean Paul Sartre. Filosofia Contemporânea)
::O existencialismo::
Chegará o dia em que as janelas poderão ser abertas para deixar as luzes e as cores entrarem. Os cheiros, o vento, as flores e as libélulas também. E será o dia do canto mais agudo, das pupilas mais saltadas, das batidas mais ritmadas. Quando então dirás que nunca assistira um amanhecer que causasse tanto alívio, nem fora tocado por ares tão confortantes. Porque a redoma agora está a se dissolver, já que não há mais quem te imponha muros ou portas fechadas. Agora tens a chave. E engatinharás até a grama fresca, debaixo do calor do sol, entre os caminhos de tantos outros que por ali passaram. Mas tens força nas pernas, no gesto, na palavra. E serás ouvido quando a janela se abrir para te mostrar o mundo. E ele será grande e revelador, saindo dos livros para a contemplação real. Pois que te torne borboleta, enfim. Livre.
(Maíra Tanaka)
::Atualmente::
Ouvindo: Placebo - This picture
Lendo: Dan Brown - O Código Da Vinci (p. 36)
Pensando: A política é necessária para o controle ou para a libertação do indivíduo?
P.S.: Só se sente saudades quando se tem Amor! E eu tenho!
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Maíra
às 10:52 PM - x
[Quarta-feira, Março 01, 2006]
::A paz imaginária::
A cegueira se manifesta na pele de porcelana admirada por olhos superficiais, nas precipitações regradas pela aparência socialmente aceitável, nos vínculos empregados pelo status e pela ambição, no esconderijo dos rótulos onde acreditamos estar libertos do massacre das massas.
A cegueira nada mais é que desperdiçar a vida a cada respiro, caminhar alheio às conseqüências de cada passo dado, acreditar que sua redoma o protegerá dos olhares externos.
A cegueira tem sua base na sociedade alienada e em sua desesperança, tem sua evolução nos governantes e seus frutos no caos social.
A cegueira é nítida e palpável, mas a acomodação deixará os olhos num eterno estado de mortificação. E que descansem em paz.
(Maíra Tanaka)
::Que venha a lucidez::
"...falemos abertamente sobre o que foi a nossa vida, se era vida aquilo, durante o tempo em que estivemos cegos, que os jornais recordem, que os escritores escrevam, que a televisão mostre imagens da cidade tomada depois de termos recuperado a visão, convençam-se as pessoas a falar dos males de toda espécie que tiveram de suportar, falem dos mortos, dos desaparecidos, das ruínas, dos incêndios, do lixo, da podridão, e depois, vermos arrancado os farrapos de falsa normalidade com que temos andado a tapar a chaga, diremos que a cegueira desses dias regressou sob uma nova forma, chamaremos a atenção da gente para o paralelo entre a brancura da cegueira de há quatro anos e o voto branco de agora..."
(José Saramago - Ensaio sobre a lucidez)
::Atualmente::
Ouvindo: Placebo - Every me, every you
Lendo: José Saramago - História do Cerco de Lisboa (p. 147)
Pensando: Qual será a próxima lição que a vida tem para ensinar?
P.S.: ...
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Maíra
às 9:50 PM - x
[Quarta-feira, Fevereiro 08, 2006]
::A história do mundo::
Para contar a história do mundo é preciso encontrar um objeto que lhe seja motivo de obsessão. A esse objeto serão mostradas as cores da vida e é com ele que serão divididos os dias de chuva. E se fará poeta quando necessário, abrigo se requisitado e trágico no desespero. Por ele buscará dias mais ensolarados, esperará anos até ver os pinheiros crescerem e guardará segredos em comum acordo. E mesmo que ele se vá, virar-te-á a eterna lembrança do dia em que o encontrou e lhe tomou posse.
A história do mundo não se fará sozinha, ela sempre vem acompanhada do objeto de desejo. Ela se escreve e reescreve a si mesma enquanto o pensamento tenta encontrar soluções para a obsessão, sendo que esta nem é problema. A história do mundo pode ser contada em segundos e durar uma paixão. Ou pode ser prolongada pelo compartilhamento e participação do objeto, para nunca ter seu fim.
Há quem escolha contar várias histórias da vida, conseqüentemente, tendo diversos objetos em vista. Outros selecionam primeiramente o tal objeto para, então, começar a escrever a história a quatro mãos.
(Maíra Tanaka)
::Auto-análise::
"Mais claro que o dia. Se chamas o amor a troca de duas temperaturas, o aperto de dois sexos, a convulsão de dois peitos que arquejam, o beijo de duas bocas que tremem, de duas vidas que se fundem tenho amado muito e sempre! Se chamas o amor o sentimento casto e poro que faz cismar o pensativo, que faz chorar o amante na relva onde passou a beleza, que adivinha o perfume dela na brisa, que pergunta às aves, à manhã, à noite, às harmonias da música, que melodia é mais doce que sua voz, e ao seu coração, que formosura há mais divina que a dela - eu nunca amei. Ainda não achei uma mulher assim. Entre um charuto e uma chávena de café lembro-me às vezes de alguma forma divina, morena, branca, loira, de cabelos castanhos ou negros. Tenho-as visto que fazem empalidecer - e meu peito parece sufocar meus lábios se gelam, minha mão se esfria..."
(Álvares de Azevedo - Macário)
::Atualmente::
Ouvindo: Kelly Clarkson - Because of you
Lendo: Gabriel García Márquez - Memória de minhas putas tristes (p. 40) Valeu, Jiló!
Pensando: Preciso falar?
P.S.: Post inspirado no livro A Casa do Poeta Trágico de Carlos Heitor Cony. Obrigada, Jeff!
P.S.2: Parabéns pelas suas conquistas, Anjo meu!
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Maíra
às 9:47 PM - x